CURSO DE ARRAIS AMADOR – Manobras de Embarcações

Curso de Arrais Amador

Capítulo 2
Manobras de Embarcações

APRESENTAÇÃO

Atracar, desatracar, fundear e suspender uma embarcação pode parecer um procedimento simples para os mais experientes. Mas nem sempre é assim. Condições adversas de visibilidade, vento, correnteza e restrições da área de manobra podem tornar uma simples atracação um pesadelo para o navegante.

Uma espia solta no momento errado pode levar a embarcação a colidir com o cais ou com outras embarcações; uma aproximação com velocidade incompatível resultará em transtornos. Fundear em local inadequado pode resultar em perda de tempo ou na perda da âncora.

Esperamos que este pequeno guia lhe seja útil para aprimorar seus conhecimentos sobre manobras de embarcações e, mais ainda, o ajude a ser aprovado no exame de ARRAIS AMADOR.

O Clube do Arrais apresenta aqui, de forma resumida e ilustrada, algumas informações importantes que devem ser observadas pelos navegantes, especialmente aqueles que desejam habilitar-se na categoria de ARRAIS AMADOR.
Lembramos que a legislação completa e atualizada deve sempre ser consultada em www.dpc.mar.mil.br.

PROCEDIMENTO BÁSICO DE DESATRACAR

atracar1

A) Largar cabos a ré, abrir a popa com os cabos de vante ou usar motor dando atrás, mais o leme.
B) Popa safa, largar os cabos de vante e dar máquinas atrás, afastando a embarcação.
C) Manobrando o leme, colocar a proa na direção desejada.

 

PROCEDIMENTO BÁSICO DE ATRACAR

desatracar

 

A) Aproximar do local da atracação com pouco segmento a vante (pouca velocidade), fazendo um ângulo de 45°com o cais.
B) Logo que possível, passar um cabo de proa.
C) Em seguida, passar um cabo de popa. Atracação concluída.

[alert-note]Observações:
1 – Deve-se atracar sempre contra a corrente ou o vento, e com pouco seguimento (aproximadamente 3 nós).
2 – Embarcações com 2 hélices devem atracar com um ângulo de 10° a 20° com o cais, com velocidade reduzida.[/alert-note]

 

DIREÇÕES DO VENTO RELATIVO AO BARCO

vento-relativo1

[alert-success]Barlavento: lado do barco que recebe o vento. Sotavento: lado do barco que solta o vento.[/alert-success]

 

ANEMÔMETRO

O instrumento que mede a intensidade com que o vento está soprando é o ANEMÔMETRO.
anemometrosA) Anemômetro de Conchas (Anemômetro de Robinson).
B) Anemômetro Aviãozinho.
C) Anemômetro de “Da Vinci” (Anemômetro de Deflexão).

 

ATRACAÇÃO COM VENTO OU CORRENTE PERPENDICULAR AO CAIS

vento-perpendicular

ATRACAÇÃO A BARLAVENTO – Aproximar com a embarcação paralela ao cais, com pouco segmento.

 

vento-perpendicular_1

 

ATRACAÇÃO A SOTAVENTO – Aproximar com a embarcação com um ângulo de 45° com o cais.

 

DESATRACAÇÃO COM VENTO OU CORRENTE PELA PROA OU PELA POPA

vento-proa

DESATRACAÇÃO DO CAIS COM VENTO OU CORRENTE PELA PROA
– Largar todas as espias, exceto a qu e que diz (aponta) para vante, na popa, mantendo o leme contrário ao cais.
– A espia da popa que diz para vante chama-se ESPRINGUE DE POPA.

 

vento-popa1

DESATRACAÇÃO DO CAIS COM VENTO OU CORRENTE PELA POPA
– Largar todas as espias, exceto a qu e que diz (aponta) para ré, na proa, mantendo o leme na direção do cais.
– A espia da proa que diz para ré chama-se ESPRINGUE DE PROA.

 

ESPIAS

espias

tabela-espias

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Observações:
a) Embarcação de um hélice passo direito – atraca mais facilmente para BB do que para BE.
b) Embarcação de dois hélices, anulam-se os efeitos dos hélices, ficando sob a ação do leme.
c) Embarcação de dois hélices, dando atrás e adiante com a mesma rotação, tende a girar a proa para o mesmo bordo do hélice que dá atrás.
d) A temperatura da água é um fator que não interfere nas condições de manobra.
e) O efeito máximo do leme, na prática, é obtido com uma inclinação de 35° da porta em relação à quilha.
f) Numa embarcação parada, se dermos máquinas adiante, a toda força, e se o sentido da rotação do hélice for no sentido dos ponteiros do relógio, a proa vai para bombordo.
g) Um barco de dois motores, para que este gire em torno de si próprio, no sentido anti-horário, o motor de BE deve dar adiante e o de BB deve dar a ré, ambos com a mesma força.

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PROCEDIMENTO DE FUNDEAR

fundear

 

SUSPENDER ÂNCORA -Sair do local do fundeio, recolhendo a âncora.

suspender-ancoras

A) LIGAR O MOTOR ANTES DE SUSPENDER.
B) DAR SEGUIMENTO A VANTE PARA DIMINUIR O ÂNGULO DA AMARRA COM O FUNDO.

[alert-note]Antes de suspender (arrancar a âncora), deve-se dar máquina adiante e posicionar a embarcação exatamente em cima da âncora, para que a âncora fique na vertical e facilite o içamento.[/alert-note]

 

BÓIA DE ARINQUE

A bóia de arinque destina-se a marcar o local exato onde se encontra a âncora.

TENÇA -é o tipo ou qualidade do fundo.

O tipo de fundo onde os ferros unham bem são fundos de “BOA TENÇA”.

Melhores tenças: CASCALHO, AREIA e LAMA. Para embarcações de Esporte e Recreio, deve-se usar a âncora DANFORTH e evitar os fundeadouros de areia dura.

danforth1

 

TÉCNICAS DE FUNDEIO

fundeadouro

A) FUNDEIO NORMAL: largar amarra tamanho três vezes a profundidade local.
B) FUNDEIO DEMORADO OU COM RISCO DE MAU TEMPO: largar amarra tamanho cinco vezes a profundidade local.

Bom fundeadouro:
– Abrigado de ventos.
– Profundidade adequada (até 10 mts para barcos pequenos.
– Fundo bom, sem declives.
– Fundo de boatença (areia, cascalho e lama).

[alert-warning]Quando uma embarcação é levada pelo vento, maré ou corrente, arrastando a âncora, diz-se que ela está GARRANDO.[/alert-warning]

 

RAIO DE GIRO

fundeadouro_1

A) Deve-se evitar fundear onde o espaço de giro da embarcação seja limitado.
B) Quando várias embarcações fundearem próximas umas das outras, deve-se deixar espaço entre elas para que possam girar em redor da âncora.

 

vento-forte

 

PROCEDIMENTO EM CASO DE MAU TEMPO

mau-tempo1

A) CORRER COM O TEMPO: Soltar o DROGUE e deixar as ondas pela popa, dando máquinas a vante para deixar o cabo estendido.
B) CAPEAR: Soltar o DROGUE de tal forma que faça com que as ondas colidam com a amura do barco (parte mais resistente do casco, sem motor).

[alert-success]

Glossário:

Drogue (Sea Anchor, Drift Anchor, Drag): Tipo de aparelho flutuante que lançado pela popa de uma embarcação a mantenha filada à correnteza, em caso de mau tempo. A âncora flutuante diminui o descaimento dum navio que esteja no mar, por conta das vagas e do vento. É muito útil em navios pequenos, devido à conservação do aproamento ao vento e ao mar em mau tempo.

Amarra (Anchor Chain, Anchor Cable) : Cadeia de elos especiais com ou sem malhetes (nos navios pequenos pode-se usar corrente ou cabo de arame). Tem a função de aguentar a força de fundeio da âncora nos fundeadouros. As Amarras de fundeio normalmente têm oito quarteladas de quinze braças, num total de 120 braças.

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  1. JORUATAN CARDOSO 05/08/2015 às 16:28

    Boa tarde amigos do Clube do arrais
    Graças as dicas que vocês colocam nas apostilas consegui realizar com bom aproveitamento o curso de arrais amador/motonáutica, parabéns a toda equipe já estou repassando para os amigos o endereço do clube.
    Espero que vocês pensem em criar uma loja que possamos comprar, camisas, brevê, suvenir, etc, referente aos cursos oferecidos.
    Aguardo resposta.

    • clubedoarrais 05/08/2015 às 16:57

      Prezado JORUATAN CARDOSO. Obrigado pela colaboração e pelas sugestões. Na medida do possível, disponibilizaremos mais opções para a comunidade náutica amadora. Um abraço.

  2. PauloRoberto Prado dos Santos 25/11/2016 às 22:59

    Estou cursando o ARRAIS-AMADOR e vou fazer a prova na MARINHA semana que vem, dia 01.12.2016. Estou tendo bom aproveitamento seguindo as dicas e simulados oferecidos pelo site. obrigadão…..VALEU MESMO.

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